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President Lula da Silva denounces prejudice
(See our link O Globo, Brasil)
Lula tenta quebrar preconceito de evangélicos contra Marta
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SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou nesta sexta-feira
quebrar o que chamou de preconceito que a candidata do PT à prefeitura
paulistana, Marta Suplicy, sofreria dos evangélicos. Em discurso a
representantes de diferentes setores da igreja, ao lado da petista, para quem
pediu voto, Lula disse que Marta é vítima de um preconceito do qual "conhece
muito bem". A cerca de 100 pastores e reverendos, num hotel de luxo da cidade, o
presidente disse que suas derrotas nas eleições de 1989, 1994 e 1998 ocorreram
também porque os próprios evangélicos "pregavam mentiras" a seu respeito.
- Estou à vontade aqui pedindo votos pra Marta. Eu que já sofri tanto
preconceito, (...) hoje acredito que Marta é vítima de preconceito da cidade.
Vítima pelas coisas boas que fez. Eu estou convencido que essa mulher sofreu uma
campanha de preconceito exatamente pelas coisas boas que fez pela cidade - disse
o presidente, que também falou sobre o preconceito do qual diz que foi vítima ao
longo da carreira política.
- Ninguém tem mais horas nas costas de preconceito do que eu. Até preconceito da
igreja evangélica. O que foi as campanhas de 89, 94 e 98. Quanta infâmia e
mentira contavam a meu respeito. Diziam até que eu ia fechar igrejas - disse ele,
emendando: - E quanto preconceito já foi levantado contra os pastores,
entretanto, não se pode retribuir aos outros o preconceito do qual já foram
vítimas - completou.
No encontro, evangélicos disseram para Lula que mudaram de opinião a seu
respeito porque ele fez "muito pelo social". Um dos convidados, reverendo
Dinardi, disse no microfone que passou a respeitar o presidente porque os
programas sociais ajudaram a melhorar a situação financeira das igrejas.
- O senhor abençoou o povo de Deus com projetos sociais e por causa disso a
igreja se fortaleceu com os dízimos e as ofertas - disse Dinardi.
O empenho do presidente não resultou numa transferência automática de apoio dos
evangélicos para a petista. Na platéia, havia quem a condenasse por suas
posturas consideradas liberais. O projeto que defende a união estável entre as
pessoas do mesmo sexo é o que mais afasta a petista dos evangélicos.
- Está na Bíblia que os homossexuais não vão para o Reino dos Céus, então não dá
para defender esse projeto dela. Ou então vamos ser obrigados a celebrar
casamentos desse tipo em nossa igreja - disse o presidente do conselho de
pastores da Zona Sul, Levi Monteiro.
Um dos convidados pediu a palavra para lembrar que Marta, embora estivesse ali
pedindo voto, havia entrado com uma ação contra um pastor. Marta explicou:
- Sempre que alguém se dirigir a mim com palavras de baixo calão, vou processar
- disse ela, referindo-se a um pastor que usou um programa de rádio para atacá-la
no campo pessoal.
Ainda assim, a candidata a prefeita disse aos evangélicos que estava disposta,
se eleita, a permitir a realização da Marcha de Jesus na Avenida Paulista e a
rever a lei de Cidade Limpa para que os templos evangélicos possam distribuir
placas de sinalização em toda a cidade, o que foi proibido na atual gestão.
Marta corteja eleitores do PSDB
Ainda nesta sexta, Marta cortejou os eleitores do PSDB afirmando que está no
segundo turno para "unir e não para dividir" a cidade, lembrando as "parcerias"
feitas em eleições passadas com os tucanos Geraldo Alckmin, candidato derrotado
no primeiro turno na eleição paulistana, e o governador Mário Covas. Ela afagou
os alckmistas, grupo do PSDB que ainda reluta em apoiar o prefeito e candidato à
reeleição Gilberto Kassab (DEM)
- Nós estamos colocando que já fomos parceiros em ocasiões diferentes. Eu mesma
dei o meu apoio na eleição do governador Covas e recebi o apoio dele e do
Alckmin na minha eleição para prefeita. Nós não somos díspares em várias idéias
- afirmou Marta.
Depois do apoio de 11 ministros, deputados e vereadores em um ato a favor de sua
candidatura na noite de quinta-feira, Marta disse que "gostou muito das palavras
da ministra" Dilma Rousseff e que ficou muito "sensibilizada" com o apoio do
escritor Fernando Morais (PMDB) e do ministro da Cultura Juca Ferreira (PV).
- Fiquei muito sensibilizada com a vinda do ministro Juca Ferreira, que veio
conclamar os verdes a votar na nossa candidatura - disse a candidata do PT,
referindo-se ao PV que, assim como o PMDB de Fernando Morais, apóiam a
candidatura de Gilberto Kassab (DEM).
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